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Método7 min de leitura

Como estudar vocabulário em inglês em 20 minutos por dia

Alguns minutos distraídos rendem pouco. Veja como montar uma sessão de 20 minutos com foco: o que fazer em cada etapa, quando encaixar e como manter o ritmo.

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Cinco minutos na fila, mais três entre uma reunião e outra, um pouco antes de dormir com a TV ligada. No fim do dia, o aplicativo diz que você estudou quinze minutos. Na semana seguinte, quase nada daquilo está na sua cabeça.

O problema não é a quantidade de minutos. É o tipo de atenção que você deu a eles. Este post mostra como transformar 20 minutos em uma sessão de estudo de verdade: o que fazer em cada etapa, onde encaixar na rotina e como passar da segunda semana.

Por que alguns minutos distraídos rendem tão pouco?

Porque a memória depende de atenção no momento em que a informação entra, e é justamente essa atenção que falta nos intervalos picados.

Em 1996, o psicólogo Fergus Craik e colegas da Universidade de Toronto pediram que voluntários memorizassem listas de palavras enquanto faziam uma segunda tarefa ao mesmo tempo. Dividir a atenção na hora de aprender causou grandes perdas de memória. Curiosamente, dividir a atenção na hora de lembrar prejudicou bem menos. Ou seja: o momento mais frágil é a entrada.

Há também o custo de trocar de tarefa. Em 2001, Joshua Rubinstein, David Meyer e Jeffrey Evans mostraram que alternar entre tarefas tem um custo de tempo mensurável a cada troca, e que esse custo cresce quando as regras da tarefa são mais complexas.

Uma ressalva honesta: esses estudos foram feitos em laboratório, com listas de palavras e tarefas artificiais, não com alguém estudando inglês no celular. Eles não medem quanto exatamente você perde ao estudar entre duas reuniões. Mas apontam na mesma direção que a experiência de quase todo mundo: estudar com a cabeça em outro lugar dá a sensação de ter estudado, sem o resultado.

O que fazer de diferente quando você tem foco?

Tentar lembrar, em vez de só rever. É uma das mudanças que mais rendem com o mesmo tempo.

Em 2006, Henry Roediger e Jeffrey Karpicke compararam dois jeitos de estudar um texto. Um grupo usou quatro períodos de estudo para ler o texto. Outro usou só o primeiro para ler e os outros três para escrever tudo o que lembrava, sem consultar o texto. Uma semana depois, quem praticou lembrar recuperou 61% das ideias do texto. Quem releu, 40%. E o detalhe: o grupo que só releu leu o texto, em média, 14 vezes. O outro, cerca de 3. O estudo foi feito com universitários e textos em prosa, não com vocabulário de outro idioma, mas uma grande revisão de técnicas de estudo publicada em 2013 encontrou o benefício de testar a memória em muitos tipos de material e em estudantes de diferentes idades.

Tem mais um dado que importa para a sua motivação: quem releu se sentia mais confiante de que ia lembrar. Rever dá a impressão de domínio; tentar lembrar dá a impressão de dificuldade. A sensação engana nos dois casos. Por que a memória funciona assim está explicado em Por que você esquece o inglês que estuda.

Como dividir os 20 minutos?

Em três blocos: revisar o que já está na lista, buscar o que é novo e produzir frases suas. Nessa ordem.

TempoO que fazerPor quê
0 a 10 minRevisar as frases que estão para vencer, tentando lembrar antes de ver a respostaProteger o que você já aprendeu vem antes de acrescentar coisa nova
10 a 15 minBuscar as palavras e frases que você anotou durante o dia e escolher quais entram na listaVocê estuda o que apareceu na sua vida, não uma lista genérica
15 a 20 minDizer em voz alta uma frase sua com cada palavra novaReconhecer é diferente de conseguir usar

Alguns detalhes que fazem diferença:

  • Na revisão, não espie. Veja a frase em português, ou ouça o áudio, e tente produzir ou entender antes de conferir. Errar aqui faz parte do processo.
  • Na busca, seja seletivo. Nem toda palavra desconhecida merece entrar. Priorize as que aparecem com frequência e as que você reconheceria na próxima conversa.
  • Na produção, fale. Escrever ajuda; dizer em voz alta obriga você a montar a frase inteira, com pronúncia e ritmo. Mais sobre isso em Entendo inglês, mas não consigo falar.

Se você usa o dailyBe, o primeiro bloco equivale a duas ou três sessões de 10 frases. Para quem já tem prática, cada sessão leva uns 4 a 5 minutos. No começo, uma única sessão pode levar bem mais, até uns 25 minutos para quem está bem no início. Nesse caso, faça uma sessão com calma e não se cobre pela quantidade: o que conta é a atenção.

As revisões rendem mais quando espaçadas no tempo, e é por isso que o primeiro bloco existe: a frase volta pouco antes de você esquecê-la. O mecanismo está em Repetição espaçada: o que é e como funciona.

De onde vêm as palavras para estudar?

Do seu dia. Uma sessão de 20 minutos começa antes: no momento em que você ouve, lê ou assiste a algo em inglês e percebe que entendeu só pela metade.

Anote a frase inteira, não só a palavra. Um bloco de notas no celular basta. Por exemplo, três anotações de um dia comum:

The deal fell through at the last minute. O negócio não deu certo na última hora.

Let's not get ahead of ourselves. Vamos com calma, sem nos precipitar.

She's been really supportive. Ela tem me apoiado muito.

À noite, ou no próximo trajeto, essas anotações viram a matéria-prima do segundo bloco. É o que o dicionário do dailyBe resolve: você busca a palavra ou a expressão inteira (fall through, get ahead of ourselves), vê pelo menos cinco frases de exemplo e adiciona as que fazem sentido à sua lista. Depois, a revisão acontece em modos diferentes, falando, vendo e ouvindo, e cada palavra volta em frases e contextos diferentes. Veja os detalhes em Funcionalidades.

Quando encaixar a sessão na rotina?

Num momento fixo, amarrado a algo que você já faz todos os dias. Não "quando sobrar tempo", porque o tempo não sobra.

Boas opções:

  • O trajeto no transporte público. Ônibus, metrô ou trem costumam oferecer 20 minutos que já estão no seu dia. Com fones de ouvido, dá para ouvir as frases sem depender do ambiente. Se você dirige, deixe a sessão para outro momento.
  • Logo depois de um hábito fixo. Depois do café da manhã, antes de abrir o e-mail, depois de colocar as crianças para dormir.
  • Um horário marcado na agenda. Se a sua semana é guiada por calendário, trate o estudo como compromisso.

O que evitar: o intervalo entre duas reuniões, a fila do mercado, a TV ligada. São justamente os momentos de atenção dividida.

Ajuda escrever o plano no formato "quando acontecer X, eu faço Y". Por exemplo: "quando eu sentar no metrô de manhã, abro o app e faço a revisão". Psicólogos chamam isso de intenção de implementação. Uma meta-análise de Peter Gollwitzer e Paschal Sheeran, publicada em 2006 e baseada em 94 testes independentes, encontrou um efeito de médio a grande desse tipo de plano sobre o cumprimento de metas. Não é garantia, mas é uma técnica simples com bastante pesquisa por trás.

Como não desistir na segunda semana?

Aceitando que a primeira fase é a mais difícil e que falhar um dia não quebra nada.

Num estudo de 2010, Phillippa Lally e colegas acompanharam 96 voluntários que escolheram um hábito novo e simples, de alimentação, bebida ou atividade física, para repetir todo dia no mesmo contexto (por exemplo, depois do café da manhã). O tempo até o comportamento ficar automático variou muito: de 18 a 254 dias. E perder uma oportunidade isolada não atrapalhou de forma relevante o processo.

Duas consequências práticas:

  1. Não espere que fique fácil na segunda semana. Para muita gente, leva bem mais tempo. A dificuldade inicial não é sinal de que o método não serve para você.
  2. Falhou um dia, retome no outro. Sem sessão dobrada para compensar, sem recomeçar do zero. O risco não é o dia perdido, é deixar um dia virar uma semana.

E desconfie da sensação de que "não está entrando". Como no estudo de 2006, tentar lembrar parece mais difícil do que rever, e por isso dá menos sensação de progresso. Meça o avanço de outro jeito: quantas frases da sua lista você reconheceu numa série ou numa conversa esta semana.

Por onde começar amanhã?

Escolha agora o momento fixo e escreva o seu "quando X, eu faço Y". Durante o dia, anote três frases que você entendeu pela metade. Na sessão, siga os três blocos: revisar tentando lembrar, buscar as frases anotadas, dizer em voz alta uma frase sua com cada uma. No fim da semana, ajuste o que não funcionou: o horário, o gatilho ou a quantidade de frases novas.

Perguntas frequentes

Vinte minutos por dia são suficientes?

Vinte minutos com atenção total, todos os dias, somam mais de duas horas semanais de estudo de verdade. Isso costuma render mais do que sessões longas e esporádicas, porque a regularidade permite revisar antes de esquecer. Se você tiver mais tempo em algum dia, use, mas não transforme isso em condição para estudar.

Posso dividir os 20 minutos em vários momentos do dia?

Pode, mas perde parte do benefício. Cada retomada tem um custo de concentração, e intervalos curtos entre outras tarefas costumam ser feitos com a cabeça em outro lugar. Se precisar dividir, prefira dois blocos de dez minutos com foco a quatro de cinco.

Qual o melhor horário para estudar vocabulário?

O que você consegue repetir quase todo dia sem negociar consigo mesmo. Trajeto no transporte público, logo depois do café da manhã ou antes de dormir são escolhas comuns. O importante é amarrar o estudo a algo que já acontece na sua rotina.

E se eu perder um dia?

Retome no dia seguinte, sem tentar compensar com uma sessão dobrada. Num estudo sobre formação de hábitos, perder uma oportunidade isolada não atrapalhou de forma relevante o processo. O que atrapalha é transformar um dia perdido em uma semana perdida.

Fontes

  1. Craik, F. I. M. et al. (1996). The effects of divided attention on encoding and retrieval processes in human memory. Journal of Experimental Psychology: General, 125(2), 159-180
  2. Rubinstein, J. S., Meyer, D. E. & Evans, J. E. (2001). Executive control of cognitive processes in task switching. Journal of Experimental Psychology: Human Perception and Performance, 27(4), 763-797
  3. Roediger, H. L. & Karpicke, J. D. (2006). Test-enhanced learning: Taking memory tests improves long-term retention. Psychological Science, 17(3), 249-255
  4. Dunlosky, J. et al. (2013). Improving Students' Learning With Effective Learning Techniques. Psychological Science in the Public Interest, 14(1), 4-58
  5. Gollwitzer, P. M. & Sheeran, P. (2006). Implementation intentions and goal achievement: A meta-analysis of effects and processes. Advances in Experimental Social Psychology, 38, 69-119
  6. Lally, P. et al. (2010). How are habits formed: Modelling habit formation in the real world. European Journal of Social Psychology, 40(6), 998-1009

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